sábado, 25 de julho de 2009

A Certeza da Morte e os Bálsamos da Vida


Vocês devem estar se perguntando o porquê de um título tão forte, e embora vocês saibam que eu gosto de temas polêmicos, até se assustaram um pouquinho ao ver isso aqui, não é mesmo? Sim, morte e vida são temas centrais no meu livro, mas o fato é que hoje eu acordei com sono e com uma vontade de chorar que não cabia em mim. Eu olhei pela janela e estava chovendo, estava escuro e as árvores balançavam violentamente. As nuvens no céu não me mostravam se iriam ficar ou se pretendiam partir. O dia estava enigmático. Em dias como esses eu costumo ficar depressiva, e sinto muito medo, porque a chuva é escura, a escuridão é silenciosa e o silêncio traz os medos da alma para perto do coração.
Quando eu estou triste eu choro e quando eu choro é porque me lembrei de alguma coisa ou porque a imaginei. Eu imagino muitas coisas, por isso escrevo, mas às vezes a minha fantasia me machuca e as lembraças muito mais. Vejam que eu, assim como muitos de vocês, já perdi uma pessoa muito importante, que, sem dizer adeus, foi embora e nunca mais voltou. Nunca mais voltou... É por isso que eu temo a Morte, porque ela leva e jamais traz de volta, e faz com que nos sintamos como crianças abandonadas no meio da estrada em uma noite sem luar.
Eu já ouvi muitas palavras de consolo, muitas histórias sobre Céu e Inferno, Paraíso e Purgatório. Mas em meio à dor, não importa o quão poderosa é a nossa fé; ela nos abandona, é lavada com lágrimas e cai ao chão, assim, seca e pesada.
Momentos como esses me fazem pensar em todas as coisas que consideramos clichês, mas que são tão importantes. Como valorizar estar vivo, por exemplo, como lutar pelos seus sonhos até o fim, como saber que tudo em excesso é perigoso, até mesmo responsabilidade. É saber que nós gritamos com o nosso cachorro, interrompemos as nossas crianças no meio de um conto sobre a escola e negamos um beijo de amor porque estamos estressados com o nosso chefe. E ainda que saibamos que o amanhã possa não mais vir, continuamos fazendo a mesma coisa todos os dias, aí então Ela vem, vem e nos toma pelos braços, e muitas vezes não nos permite nem sequer um pedido de perdão, um sorriso ou uma lágrima atrasada.
Eu tenho medo toda vez que reflito sobre isso, me sinto frágil, desprotegida e desorientada, porque a bendita da Morte é a única certeza que temos na Vida e nós não sabemos absolutamente nada sobre ela, todas as nossas tentativas de desvendá-la são inúteis e nos apegamos a toda e qualquer explicação simplesmente para afastar o temor que Ela nos causa. Nós somente somos capazes de aprendermos a lição que Ela ensina e nos banhamos no pranto que ela nos presenteia.
Por essas e outras eu olhei ao meu redor e vi que eu sou um desses sortudos que têm o direito de escolher o seu caminho, que tem apoio e pode seguir e ser feliz. E decidi não perder meu tempo com estresse desnecessário, trabalhar para viver e não ao contrário, porque, quantos não teriam vontade de poder optar pela vida que gostariam de ter... Eu sei que ser feliz não é fácil, mas não tentar é uma agressão. A vida é tudo o que temos que realmente nos pertence e um dia, ainda que ele demore a chegar, ela se vai e nunca mais retorna, e a única coisa que levamos é o orgulho de ter tentado ou a amargura de ter desistido. E é por isso que eu digo, meus queridos: Carpe Diem!

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