quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Paulo Coelho, o Brasil e a Europa



Como eu estou sem tempo para escrever para o blog, estou postando aqu um texto que eu escrevi pro blog Meia Palavra (do Fórum Meia Palavra: http://www.meiapalavra.com.br/index.php). Como eu acho que o assunto combina com o tema "preconceito" dos meu daqui e do meu livro, eu decidi trazer para cá.


Quanto ao livro: Devido a problemas financeiros está tudo meio atrasado, mas eu peço paciência, porque ele vai sair. heheehehehee

FELIZ 2010


Eu passei a minha vida inteira ouvindo as pessoas falarem mal das obras de Coelho. Fora os fiéis fãs do autor, me parece que todo o resto do país tende a não gostar de seus escritos. Mas jamais dei muita atenção para a popularidade, ou falta dela, do escritor no Brasil, até eu mudar de país.
Assim como a maioria, eu sempre soube que os livros do brasileiro são muito lidos mundo a fora, principalmente na Europa. Quando cheguei à Alemanha, me pus a pesquisar sobre essa diferença de opiniões, e a coisa esquentou.
Comecei a minha “jornada curiosa” nas minhas livrarias favoritas e na maior rede de livrarias por aqui. Todas elas, sem exceção, contaram-me sobre o enorme sucesso dos romances de Coelho e sobre suas vendas excelentes. Confesso que toda vez que ouvia frases como essa eu coçava a minha cabeça e tentava entender. Perguntava-me se a resposta estava na tradução.
O meu interesse diminuiu e eu acabei esquecendo a temática, até que em uma conversa corriqueira na redação onde trabalhava, uma amiga alemã, que estudou Literatura e Teatro, me disse que Paulo Coelho era o seu escritor favorito. Aí vocês podem imaginar a minha confusão. Eu informei a ela sobre as críticas negativas que ele recebe no Brasil e ela ficou chocada.
Quando pensei ter todo o material que eu precisava para este artigo, ouvi mais uma conversa intrigante: Uma amiga da minha faculdade estava contando, eufórica, que há poucas semanas havia comprado seis livros do Paulo Coelho e mal podia esperar para terminar todos; e disse: “ ‘Veronika decide morrer’ salvou a minha vida”. Entendam vocês que eu precisei interromper sua narrativa. A minha curiosidade falou mais alto que a minha educação. Eu mencionei à ela e às outras quatro, que suspiravam ao ouvir falar do livro, que seus romances não são exatamente benquistos no meu país.
Ali eu percebi estar discutindo um problema cultural, e a pergunta que eu fiz a elas, farei aqui. Será que a intolerância brasileira para com os livros de Coelho tem a ver com a maneira como ele usa o idioma ou com os assuntos que ele aborda? Será que nós somos tão culturalmente forçados a aceitar uma única verdade que todas as outras são imediatamente descartadas? Eu não estou aqui defendendo ou criticando qualquer coisa, mas levantando uma questão que me interessa pessoalmente.
Sei que uma grande percentagem de pessoas que lêem muito não se deixam levar por especulações religiosas ou pela mentalidade de suas crenças. Mas será mesmo que é a Literatura como arte e não a nossa cultura que não aceita as suas histórias? Naquele momento eu vi que os europeus pensam que sim. Uma outra amiga, que morou na Bolívia, disse entender perfeitamente porquê o povo brasileiro evita os livros de Paulo Coelho, pois por mais “avançada” que seja uma mente sulamericana, ela ainda vai carregar em suas entranhas os preconceitos cristãos.
Se eu estava conversando com um bando de mulheres desesperadas, que precisam de palavras de auto-ajuda, ou se nós somos preconceituosos irremediáveis, não sei, mas fato é que Coelho é apedrejado no Brasil e adorado na Alemanha, se isso tem a ver com um deus único ou a falta dele, eu deixo em aberto. E se nós realmente levamos nossa cultura impregnada no sangue, eu continuo me perguntando...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Preconceito à flor da pele



O tema central do meu blog (e livro) não é uma coisa com a qual eu sou familiarizada.

Eu sou baixinha e isso me rendeu e ainda rende boas piadas e gracinhas, mas nada de absurdo ou cruel.

O motivo de eu falar sobre preconceito é por consederá-lo perigoso para a sociedade e até para a alma de um indivíduo. Mas chegou o momento onde eu precisei ser confrontada com ele para entender perfeitamente o quanto dói.

Para aqueles que não sabem, eu estudo Artes Cênicas na “Freie Schauspielschule Hamburg”, em Hamburgo, Alemanha, onde moro. Sim, eu sempre sonhei e ser atriz, o palco é minha casa e quem me conhece sabe disso, mas eu sempre escondi o sonho por medo do que os outros pensariam, como eles me tratariam; e por medo de ser um dia melhor que alguém, e por isso ser rejeitada pela sociedade. Acabei adiando o desejo de seguir carreira naquilo que amo.

Um dia eu, por diversos motivos, decidi que me daria essa chance, que eu também tenho direito de ser feliz e que não importa o que os outros digam. Mas eu não estou mais em casa, não passo o dia todo falando o meu idioma. Tive que aprender alemão e essa não é a língua mais simples do mundo. Acreditem! Eu fiz o que pude, estudei com vontade, fiz questão de deixar o meu (santo) inglês de lado e só falar em “sopa de letrinhas”. Eu não estou há muito tempo aqui, três anos não é exatamente uma eternidade e eu ainda tenho sotaque. Os alemães que eu conheço me elogiam e até admiram pela rapidez e fluencia com as quais eu aprendi o idioma, mas isso não é o suficiente, não para todo mundo.
Como eu disse eu estudo Artes Cênicas e tenho muitos professores, na maioria, logicamente, alemães, que são pessoas competentes, gentis e motivadas. E foi um dos meus professores favoritos que me machucou.

Assim que as aulas começaram eu estava empolgada com ele, um senhor de 85 anos que ainda trabalha na profissão, com tanta experiência que eu nem sei se um dia chegarei a ter. Ele trabalhou no Brasil, na Inglaterra, na Espanha e por aí vai, fala muitas línguas e se gaba das coisas que fez, com razão. Ele mesmo me elogiou no início, disse que era difícil ver alguém que conseguia falar alemão tão bem em tão pouco tempo, mas a reitora estava presente e ele precisou de algumas semanas para mostrar sua cara.

Um dia nós presisamos decorar um texto e apresentar, a tarefa era somente dizer o texto para que os colegas conseguissem ter uma imagem na cabeça sobre aquilo que nós descrevemos, ou seja, era basicamente a qualidade da descrição que estava em jogo e nada mais. Bem, a peça foi escrita no século XVIII e todos temos problemas com a maneira como se falava em tempos que não são os nossos, mas eu, obviamente, tenho o meu sotaque, e isso foi o suficiente para que ele me humilhasse. Perguntou se eu sabia que dessa maneira eu não conseguirira nenhum papel. Claro que eu sabia, eu não sou idiota! Mas a maneira como ele disse me deu a sensação de que ele queria que eu não freqüentasse mais suas aulas. O mesmo aconteceu com a outra brasileira, ele chegou a perguntar a ele qual foi o monólogo que ela apresentou para ser aceita pela escola. Que outras escolas não aceitam alunos estrangeiros, mas a nossa faz, que era um absurdo. E naquele momento ele esqueceu que ele já foi estrangeiro no país dos outros.

Eu pensei em desistir da escola, eu tive vontade de vomitar, de gritar e de brigar com ele. Quem ele pensa que é? Ele nos julgou antes de nos conhecer, antes de saber com que velocidade nós somos capazes de perder os nossos sotaques, porque a escola segue três anos e em três anos nós temos aula de fonética.

Ele começou a ficar issuportável, não queria mais deixar que eu subisse ao palco. Ele me deixou de lado.

A faculdade (aqui chamada simplesmente de escola ehehe) apoia a variedade de culturas no país e é muito orgulha de seus esudantes estrangeiros, portanto, qualquer forma de racismo é banido imediatamente. O professor foi demitido e nós, as humilhadas, ficamos com medo de que os outros estudantes fossem nos odiar, porque ele era um professor querido, bem, assim nós acreditávamos, eu até trabalhei mal no dia seguinte ao acontecido, com medo do julgamento dos colegas, mas o velhinho não era um “bom velhinho” afinal e já outras coisas do tipo já havia acontecido.

No fim das contas tudo voltou as boas, o meu alemão melhora a cada dia e eu trabalho duro para que ele fique perfeito. Mas esse momento em que eu fui jogada de lado, impedida de mostrar do que eu sou capaz só porque alguém que não me conhece acha que eu não vou conseguir... Isso eu jamais esquecerei.
E essa história eu vou guardar no coração para continuar no meu caminha para ser uma pessoa melhor e mais tolerante, porque nada dói mais que a dor do preconceito.

Boa semana a todos.

sábado, 17 de outubro de 2009

A Virgindade e a Sociedade

Eu passei um tempo desaparecida (agradeça à minha Faculdade), mas quando volto, volto com a corda toda.


Muitos não acreditariam em mim se eu dissesse que esse tema saiu do nada. E eles têm razão, saiu de alguma cosia.

Eu estava assistindo “Shakespeare Apaixonado” (pela décima vez) e vi algumas cenas de sexo entre Shakespeare e sua Viola (que não eram casados. Desculpa pelo spoiler). A minha cabecinha, muito produtiva, fez uma observação: “Eles estão no século XV,” e depois uma pergunta “Mas a virginadade não era uma coisa incrivelmente valorizada naquela época?” A resposta foi: “...” Nada. Eu não consegui responder. Eu não sabia a resposta. Os meus dedinhos nervosos procuraram as teclas para pesquisar “Virgindade” no pai dos burros online: Google. Ele me entregou diversas frases contraditórias, como por exemplo: “A determinação da virgindade da mulher está fortemente correlacionada a integridade do hímen, sendo, algumas vezes, aceito a pratica de outras formas de sexo que não o rompa, tais como o sexo anal ou oral, e desta forma mantendo o status de virgem.” Quem me conhece sabe que eu tive um ataque de risos quando eu li isso.

Eu não estou aqui para dizer que a virgindade é uma coisa sem valor. Sou daqueles que acredita que o certo é o que cada um acha que é certo para si. (Portanto, meninas que sonham em casar virgem! O façam!) A questão aqui é pura e simplesmente o meu direito de poder discutir o preconceito e a sociedade. E, principalmente, até que ponto ela tem direito de interferir naquilo que eu faço, de como eu penso e da maneira que eu ajo.

Aí eu quero saber dos “guardas” do moral e dos bons costumes dessa vida, também conhecidos como hipócritas irremediáveis: “Ah! Então quer dizer que a pureza, desculpa, virgindade está ligada ao hímem?!” (mais risos) Sei, sei. Muitos dirão: “Não, não. Isso tem a ver com não ser tocada por um homem.” Aí eu digo: “Leia do início”.

Claro que existem outras definições, muito mais nobres e muito mais “cristalinas”, do que o rompimento ou não do h-í-m-e-m. Mas, pessoal, falando sério! Nós estamos no Brasil! Isso é o que importa!

Sobre isso eu quero saber: Essa menina que já praticou outros tipos de realções sexuais... ela é mais pura que uma menina que só dorme com seu único namorado, até mesmo por anos, só porque ela tem um hímem? Será mesmo que nós somos assim tão absurdos ou as coisas já melhoraram? (Hum!)

A minha preocupação e raiva é o fato de que essa sociedade machista continua achando que tem controle sobre isso. Se ela ainda não percebeu, foi a falta de informação que levou à banalização do sexo e a banalização do mesmo levou ao caos psicológico que povoa esse país (e mundo). E eu não estou pondo em questão a virgindade em si, eu estou ponto em questão a conceito de virgindade que se criou. Aquele que diz: “Eu só quero namorada virgem”. Por quê? Alguém já se perguntou o porquê? É o “Eu quero porque eu acredito nisso”. Porque são os meus princípios como ser humano” ou “É... Eu quero porque... eu sei lá... sempre foi assim... e o meu tio diz que tem que ser assim. Sei lá! Mas casar só com virgem!” (risos e cuspe) O que é essa posição? É o medo? É o quê?

O fato é que muitos nem sabem os motivos de suas escolhas e se casariam com uma menina (que veio de outra cidade) com um hímem intacto, que já passou em muito mais mãos do que aquela que você julga.
Sem falar que alguém com um hímem complacente é virgem a vida toda. E aí?

“A virgindade é, como todo tema social, o que se faz dela. A opinião da família, de uma cultura, ou sejá lá o que for, vale, desde que isso seja realmente importante para você. Desde que você saiba que essa decisão, de permanecer intocada ou entregar-se a alguém venha de você e não da sua amiga da escola, ou da personagem preferida da série de TV ou do seu namorado que dorme com a cidade toda, mas quer que você continue virgem. É importante conversar, é importante discutir, é importante saber e entender o porquê e depois agir. Ser virgem sim, com muito orgulho, não importa quem ria de mim ou não sendo, mas sempre sabendo onde pisa.”

O mundo está cheio de cabeças não-pensantes e muito mais cheio daquelas que o querem fazer por nós. O preconceito e a falta de diálogos são inimigos que moram conosco, invisíveis e falsos que nos transformam em pessoas pequenas e intragáveis, pessoas que cometem os mesmos pecados que aqueles aos quais eles atiram pedras. Viva Brasil!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Eu não queria ligar, mas liguei


Eu postei esse texto no Fórum Meia Palavra e acabei achando a reação das pessoas muito interessante com relação a ele. Veremos o que vocês têm a dizer! Divirtam-se.
Clique aqui para visitar o fórum: http://www.meiapalavra.com.br/


Não, eu não sou fria, a minha mãe acha que eu sou fria, mas não é verdade. É que eu não levo jeito para essas coisas, sabe. Eu não sei como é dizer “meus pêsames”. Que diabos de coisa mais idiota é essa?: “meus pêsames”. Olha, eu sei, por experiência própria, que ninguém gosta de ouvir isso, mas se a gente não fala, o povo reclama. Como é que eu vou saber o que eles querem ouvir? Eu não leio mentes, nem queria, imagina!

É só pegar o telefone e ligar, eu sei que é assim, mas eu não consigo. Eu acendi um cigarro, mais um do maço da minha amiga. Ela mora comigo, mas viajou. Foi visitar a família. Coisa que eu nunca faço, porque eu nunca tiro férias. Ela esqueceu a porcaria aqui; eu peguei um e acendi no fogão.
Fiquei sacudindo as pernas, sentada no sofá. Era uma tragada, mal dada, porque eu não sei fazer isso, e uma unha que ia embora. Eu olhava para o aparelho e depois olhava para o outro lado.

Até que eu liguei, eu não queria ligar, mas liguei.

Eu soo bem nervosa, não é? Eu estou nervosa. Sabe quando eu comecei a fumar? Ontem! Quando a minha mãe me falou que...
Ai, caramba! Eu nem falei do que se trata, não é? Nem quero falar... Você me perdoa se eu não falar o que aconteceu? Não. É, eu sei que não, eu também não o faria. O problema é que eu tenho medo de tudo. As pessoas confundem o meu medo com indiferença, eu não sou indiferente! Eu me importo com o sentimento alheio, mas eu não sei como lidar com isso. O pior é que isso acontece TODA VEZ!
Eu me lembro bem da primeira vez que eu fui a um enterro. Não foi legal, está bem? Eu não gosto de ver pessoas chorando, eu sei lá, daquele jeito... naquele lugar macabro. Aí, uns homens de roupas esquisitas, eu não quero falar mal de coveiros, mas eles me causam arrepios.

Detesto esse tipo de cerimônia, situação do comportamento do homem que embrulha o meu estômago. Todo mundo lá, com a bunda no banco da igreja – pode falar bunda aqui? Que se dane! - o finado virou santo de um dia para o outro, ninguém mais tem pecados... todo mundo amigo! Eu fiquei lá observando todos e forçando uma lágrima, mas não saiu nada.

Ahhh Eu quero gritar!

Eu vou contar do começo, não do começo começo porque aí ia ser uma história muito longa e eu não gosto de falar. Tudo bem, eu gosto de falar, mas não sobre isso.

Eu cheguei em casa do trabalho. Eu trabalho igual a uma mula! Daquelas que carregam tudo nas costas. Eu carrego o mundo nas costas, a começar pelo meu chefe, aquele filho de uma mãe preguiçoso, que me deixa fazer o trabalho todo e ganha o mérito e a meleca do dinheiro! Imbecil! Mas esquecendo isso... A minha mãe me ligou.

“Tudo bem, filha?
“Tudo.” Eu sempre digo que estou bem.
“Olha, liga para a sua avó, o seu avô está no hospital. Não está nada bem.”
É sempre assim. Muitas pessoas da minha família morreram nos dois últimos anos, uma espécie de praga. A minha mãe fica sabendo da doença, fala pra mim e eu não quero ligar, mas acabo fazendo, e depois sinto um alívio danado quando eles morrem e eu liguei antes. Tudo o que eu não preciso agora é remorso! É isso mesmo! É egoísta, né? Mas você, com certeza, já pensou nisso também, fala a verdade.
Mas nesses casos, quem morria era sempre o avô dos outros, nunca o meu. Tudo bem que eu não acreditei que ele estava mesmo muito doente. A minha mãe é exagerada demais e... eu não acreditei, eu não quis acreditar. Eu não levei a sério.
Eu não acho a morte uma coisa tão absurda assim e nem o nascimento uma coisa tão linda. A vida é assim: você nasce, com cara de joelho porque neném nenhum é lindo, e aí um dia você morre, porque é como as coisas funcionam mesmo e não tem jeito.

Não, eu não liguei para a minha avó segundos depois que a minha mãe desligou. Eu fui tomar banho, eu fui comer, eu fui checar os meus e-mails. Mas chegou o momento em que não tinha mais nada “urgente” para fazer. Foi quando eu pensei que a minha avó estaria esperando esse telefonema, esperando que eu quisesse saber como eles estão, eperando pela minha atenção. Mas eu me tornei tão egoísta nesses últimos tempos.

Não, sinceramente, a minha avó é muito chata. Não, certo, ela não é chata! Mas ela fala muito da vida dos outros, eu não gosto disso. Detesto gente “fifi”! Por isso eu demoro tanto tempo pra ligar pra ela, e sempre invento uma desculpa esfarrapada, digo que não tenho tempo. Mas todo mundo tem, nem que seja, cinco minutos, mas ninguém toma esse tempo.

Eu disquei o número, sem muita vontade, mais “fazendo a minha obrigação” que qualquer outra coisa.

“Alô.” Ela soava cansada. Nossa, como ela envelheceu!
“Oi, vó. Sou eu.”

“Oh, minha querida.” Eu confesso que isso sempre me deixa feliz.
“Oi, vó. Eu liguei pra saber do vô. Como ele está?”

E ela me falou sobre sua condição e sobre o hospital e falou da sua própria osteoporose e perguntou muitas coisas sobre mim. Eu cheguei a falar com o meu avô quando ele acordou. Ele ficou tão alegre em falar comigo que fez com que eu me sentisse um monstro! Depois de alguns minutos eu descobri que eu gostava de conversar com eles e que sentia saudades. Eu desliguei e em alguns minutos todos os bons sentimentos foram apagados pela lembrança do trabalho, pela TV e pelo amanhã.

Estranhamente eu não senti a sensação de “missão cumprida” como sempre sinto quando falo com um doente. Antes de eu ir dormir o telefone tocou mais uma vez.

“Ai, filha... o seu avô...”
Eu sabia o que a minha mãe quis dizer, atrapalhada por seus soluços. E como doeu! As minhas pernas bamberam, eu caí no chão e soltei um grito. Quandos meus berros cessaram eu peguei um cigarro e acendi, eu não fumo, mas fumei. Depois disso não sei o que aconteceu, não sei onde o telefone foi parar e nem sei como e quando eu dormi.
No outro dia eu não fui trabalhar e o momento de ligar para casa chegou. Eu fumei.

É, eu também percebi que fiquei mais calma. É a dor.
Sim, eu estive no enterro. Eu participei daquele ritual humano que eu odeio. Eu sentei. Eu chorei como todos eles.
Agora você está esperando que eu diga que eu aprendi alguma coisa... Sinto muito, eu fiz a minha parte. Eu não queria ligar, mas liguei...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Campanha:

A Celly Borges do "Mundo de Fantas" está lançando, junto com Tânia Souza e Nelson Magrini, uma campanha super bacana para incentivar a leitura de escritores brasileiros de fantasia. Para obter mais informações sobre o projeto, que eu apoio de corpo e alma, é só clicar no link do blog, logo abaixo da imagem. Porque não são só Tolkien e J.K. Rowling que conseguem criar mundos fascinantes. Vamos valorizar os nossos talentos!

sábado, 25 de julho de 2009

A Certeza da Morte e os Bálsamos da Vida


Vocês devem estar se perguntando o porquê de um título tão forte, e embora vocês saibam que eu gosto de temas polêmicos, até se assustaram um pouquinho ao ver isso aqui, não é mesmo? Sim, morte e vida são temas centrais no meu livro, mas o fato é que hoje eu acordei com sono e com uma vontade de chorar que não cabia em mim. Eu olhei pela janela e estava chovendo, estava escuro e as árvores balançavam violentamente. As nuvens no céu não me mostravam se iriam ficar ou se pretendiam partir. O dia estava enigmático. Em dias como esses eu costumo ficar depressiva, e sinto muito medo, porque a chuva é escura, a escuridão é silenciosa e o silêncio traz os medos da alma para perto do coração.
Quando eu estou triste eu choro e quando eu choro é porque me lembrei de alguma coisa ou porque a imaginei. Eu imagino muitas coisas, por isso escrevo, mas às vezes a minha fantasia me machuca e as lembraças muito mais. Vejam que eu, assim como muitos de vocês, já perdi uma pessoa muito importante, que, sem dizer adeus, foi embora e nunca mais voltou. Nunca mais voltou... É por isso que eu temo a Morte, porque ela leva e jamais traz de volta, e faz com que nos sintamos como crianças abandonadas no meio da estrada em uma noite sem luar.
Eu já ouvi muitas palavras de consolo, muitas histórias sobre Céu e Inferno, Paraíso e Purgatório. Mas em meio à dor, não importa o quão poderosa é a nossa fé; ela nos abandona, é lavada com lágrimas e cai ao chão, assim, seca e pesada.
Momentos como esses me fazem pensar em todas as coisas que consideramos clichês, mas que são tão importantes. Como valorizar estar vivo, por exemplo, como lutar pelos seus sonhos até o fim, como saber que tudo em excesso é perigoso, até mesmo responsabilidade. É saber que nós gritamos com o nosso cachorro, interrompemos as nossas crianças no meio de um conto sobre a escola e negamos um beijo de amor porque estamos estressados com o nosso chefe. E ainda que saibamos que o amanhã possa não mais vir, continuamos fazendo a mesma coisa todos os dias, aí então Ela vem, vem e nos toma pelos braços, e muitas vezes não nos permite nem sequer um pedido de perdão, um sorriso ou uma lágrima atrasada.
Eu tenho medo toda vez que reflito sobre isso, me sinto frágil, desprotegida e desorientada, porque a bendita da Morte é a única certeza que temos na Vida e nós não sabemos absolutamente nada sobre ela, todas as nossas tentativas de desvendá-la são inúteis e nos apegamos a toda e qualquer explicação simplesmente para afastar o temor que Ela nos causa. Nós somente somos capazes de aprendermos a lição que Ela ensina e nos banhamos no pranto que ela nos presenteia.
Por essas e outras eu olhei ao meu redor e vi que eu sou um desses sortudos que têm o direito de escolher o seu caminho, que tem apoio e pode seguir e ser feliz. E decidi não perder meu tempo com estresse desnecessário, trabalhar para viver e não ao contrário, porque, quantos não teriam vontade de poder optar pela vida que gostariam de ter... Eu sei que ser feliz não é fácil, mas não tentar é uma agressão. A vida é tudo o que temos que realmente nos pertence e um dia, ainda que ele demore a chegar, ela se vai e nunca mais retorna, e a única coisa que levamos é o orgulho de ter tentado ou a amargura de ter desistido. E é por isso que eu digo, meus queridos: Carpe Diem!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Capa de Banshee - Os Guardiões

Bem, pessoal a capa está prontíssima e o livro já foi encaminhado para a gráfica. Agora ele sai! hehehehe

Muito, mas muito obrigada mesmo, pela força, energia positiva e visitas.